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De Oiticica a Freire: As Raízes da Educação Libertadora no Brasil
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A Pedagogia Libertária e o Despertar da Consciência Operária
Enquanto José Oiticica atuava intensamente nas primeiras décadas do século XX, ele consolidava o que conhecemos como Pedagogia Libertária. Nas "Escolas do ABC", organizadas pelo movimento anarquista, o objetivo era claro: desconstruir a hierarquia entre mestre e aprendiz para formar cidadãos capazes de autogestão. Para Oiticica, o ensino de gramática e filologia — áreas em que era mestre — não servia ao adestramento para o mercado de trabalho, mas sim para dar voz ao oprimido.
Décadas depois, Paulo Freire surgiria com a sua "Pedagogia do Oprimido". Embora Freire operasse em um contexto diferente, voltado para a alfabetização camponesa e com uma base teórica humanista cristã e marxista, o paralelo com Oiticica é inegável. Ambos acreditavam que:
- A educação nunca é neutra: Ou ela serve para domesticar as massas, ou para libertá-las.
- O diálogo é a base: A quebra da "educação bancária" (termo de Freire) já era praticada por Oiticica ao incentivar que operários discutissem política e arte enquanto aprendiam a ler.
- Autonomia: O foco final não é o diploma, mas a capacidade de agir sobre a realidade.
Oiticica foi o precursor necessário. Sem o terreno arado pelos anarquistas e suas bibliotecas populares, o movimento de educação de base que consagrou Freire teria encontrado um solo muito mais árido. Oiticica trouxe o rigor intelectual do filólogo aliado à paixão do revolucionário, provando que o saber acadêmico só tem valor se estiver a serviço da emancipação humana.
Conclusão
José Oiticica não é apenas um personagem secundário da nossa história; ele é um pilar central da pedagogia crítica brasileira. Ao traçarmos um paralelo entre ele e Paulo Freire, percebemos que a luta por uma educação que "não apenas ensina a ler a palavra, mas a ler o mundo" é uma jornada contínua. Resgatar a importância de Oiticica é reconhecer que a tecnologia social mais poderosa que possuímos continua sendo o pensamento crítico e a educação libertária.



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