Quando a "mulher empoderada" exige um provedor, ela não está rompendo com o patriarcado — está dando um desconto para ele.
FEMINISMO CLASSISTA!
No imaginário popular, o feminismo é o movimento que veio para destituir o patriarca, desmantelar as hierarquias e permitir que a mulher ocupe o mundo em pé de igualdade. No entanto, sob uma lente anarquista — que não se contenta com a substituição de opressores, mas exige a abolição de todas as formas de dominação —, observa-se um fenômeno preocupante: a reprodução do ethos patriarcal e burguês por dentro do próprio discurso de “empoderamento”.
Se o feminismo radical (no sentido de ir à raiz) busca destruir a lógica de dominação, um certo “feminismo de mercado” ou “machismo feminista” se ocupa apenas em inverter os polos ou ditar novas normas de comportamento que, no fundo, mantêm intactas as estruturas de classe e gênero.
A fala recorrente de homens que tentam se despir da armadura tóxica da masculinidade — e são recebidos com desdém por mulheres que se dizem feministas — expõe uma contradição central: a hierarquia não é apenas de gênero, mas de valor performático.









