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domingo, 29 de março de 2026

O Espetáculo da Emancipação: Quando o “Machismo Feminista” Reforça a Jaula

Quando a "mulher empoderada" exige um provedor, ela não está rompendo com o patriarcado — está dando um desconto para ele.

FEMINISMO CLASSISTA!

No imaginário popular, o feminismo é o movimento que veio para destituir o patriarca, desmantelar as hierarquias e permitir que a mulher ocupe o mundo em pé de igualdade. No entanto, sob uma lente anarquista — que não se contenta com a substituição de opressores, mas exige a abolição de todas as formas de dominação —, observa-se um fenômeno preocupante: a reprodução do ethos patriarcal e burguês por dentro do próprio discurso de “empoderamento”.

Ilustração gráfica anarquista com mulher segurando espelho quebrado. No reflexo, homem cercado por ícones de dinheiro e um carro. Fundo contrasta símbolos feministas com etiquetas de preço e, ao lado, uma árvore de raízes compartilhadas onde homem e mulher se apoiam mutuamente. Cores preto, roxo, cinza e detalhes em vermelho.


Se o feminismo radical (no sentido de ir à raiz) busca destruir a lógica de dominação, um certo “feminismo de mercado” ou “machismo feminista” se ocupa apenas em inverter os polos ou ditar novas normas de comportamento que, no fundo, mantêm intactas as estruturas de classe e gênero.

A fala recorrente de homens que tentam se despir da armadura tóxica da masculinidade — e são recebidos com desdém por mulheres que se dizem feministas — expõe uma contradição central: a hierarquia não é apenas de gênero, mas de valor performático.



O feminismo que exclui o homem pobre não liberta ninguém.


1. A Falácia da Fortaleza: Por que o Homem “Fraco” Assusta?
O anarquismo compreende que o patriarcado não é um sistema que beneficia apenas os homens; é um sistema que molda subjetividades. Quando uma mulher que se autointitula feminista se afasta de um homem por ele demonstrar vulnerabilidade emocional (“fraqueza”), ela não está exercendo uma preferência pessoal neutra; está atuando como agente de uma polícia afetiva que exige que o homem mantenha a fachada de fortaleza inexpugnável.

Isso reduz o feminismo a um mito de autossuficiência. Se a mulher empoderada só pode se relacionar com um homem que nunca chora, nunca falha e nunca precisa de suporte emocional, ela está, na verdade, reivindicando a permanência do homem como ferramenta de estabilidade, e não como parceiro em um processo de libertação mútua. O anarquismo nos lembra que a interdependência não é fraqueza; é a base de qualquer comunidade livre. Exigir que o outro seja inabalável é perpetuar a solidão compulsória que o patriarcado impõe aos homens.

2. O Clássismo como Critério de “Empoderamento”
Os exemplos citados — “tal carro é de mulher”, “se está sem dinheiro, fica em casa”, a recusa em dividir a conta ou a gasolina — são sintomas de um mesmo vírus: a absorção acrítica da lógica capitalista como parâmetro de valor humano.

Quando o valor de um homem (ou de uma relação) é medido pela capacidade de prover — e a mulher “empoderada” exige esse provedor sob a justificativa de que “ela merece” —, o que se está fazendo é chancelar a mais velha das estruturas patriarcais: a mulher como propriedade a ser mantida.

Sob o capitalismo, o corpo e o afeto se tornam mercadorias. O “machismo feminista” nada mais é do que a internalização da lógica burguesa: o homem vale pelo que ele tem (status, bens, capital), e a mulher “de valor” é aquela que consegue cobrar o preço mais alto por sua companhia. Isso não é libertação; é a sofisticação do lenocínio afetivo.

O clássismo, nesse contexto, é a ferramenta que garante que o feminismo não ameace a ordem. É mais confortável cobrar um jantar caro de um homem rico do que questionar por que o trabalho doméstico continua sendo gratuito, por que a disparidade salarial persiste ou por que a pobreza tem rosto feminino. Ao reproduzir o preconceito contra o homem sem recursos, essa mulher não está se empoderando; está se alistando na guarda pessoal do capital, garantindo que o afeto siga a lógica do lucro.



3. A Contradição da “Mulher Empoderada” Dependente
A anarquista Emma Goldman já dizia que “se o amor não é livre, ele nunca é verdadeiro”. No cenário descrito, a mulher que exige ser bancada, que não divide as despesas e que vê no homem um “padrinho financeiro” estabelece uma relação de dependência voluntária.

O problema não está na escolha individual de dividir ou não a conta, mas no fundamento: quando essa prática é uma exigência moral inegociável, ela desarma o discurso de autonomia. Como se proclamar independente enquanto se exige a manutenção de um sistema de provisão masculina? Isso não é independência; é a tentativa de ocupar o lugar de beneficiária dentro de um sistema de exploração.

O anarquismo enxerga nesse comportamento a perpetuação da “propriedade privada” aplicada às relações. Se o homem é reduzido à sua conta bancária, a relação é reduzida a um contrato mercantil. E onde há contrato de compra e venda, não há espaço para a autonomia plena da mulher, pois ela se mantém refém da figura provedora que, historicamente, sempre exigiu obediência em troca de sustento.

4. A Diminuição da Força Feminina
Quando uma mulher utiliza sua suposta “libertação” para oprimir outra classe (a classe dos homens pobres ou emocionalmente vulneráveis) ou para reforçar estereótipos de gênero (como dizer que um objeto “é de mulher” como ofensa), ela esvazia o feminismo de seu potencial revolucionário.

A força feminina não reside na capacidade de humilhar o homem que não atende aos padrões de consumo ou de masculinidade tóxica. A força feminina reside na recusa em ser cúmplice da hierarquia. Um feminismo que mantém o “homem pobre” como inaceitável, ou que ridiculariza a masculinidade que não se encaixa no estereótipo de provedor, é um feminismo que está em conluio com o fascismo social — aquele que exclui, classifica e executa simbolicamente quem não tem valor de compra.

Conclusão: Anarquismo e a Abolição do Gênero como Hierarquia
Para o anarquismo, a luta de gênero é indissociável da luta de classes e da luta contra todas as formas de autoridade. Não basta que as mulheres ocupem lugares de poder dentro da estrutura patriarcal-capitalista; é preciso destruir a estrutura que faz do poder um fetiche.

O homem que “precisa aprender mais” está, na verdade, tentando desaprender o machismo. Se ele encontra repulsa em mulheres que dizem lutar contra o machismo, isso revela que muitas ainda estão presas à lógica de que o homem só tem valor enquanto “pilar de concreto” e “carteira”.

A mulher verdadeiramente livre, na perspectiva anarquista, não precisa de um homem que a sustente, nem de um homem que a domine; ela precisa de um companheiro que também esteja disposto a destruir as amarras. Ela não mede o parceiro pelo carro que ele dirige, mas pela capacidade que ambos têm de construir uma relação baseada em autonomia, apoio mútuo e recusa radical à mercantilização dos afetos.

Enquanto o feminismo for usado como vitrine para exibir status social, enquanto a “empoderada” replicar o olhar clássista do agiota avaliando o patrimônio do pretendente, estaremos apenas girando cadeiras no navio que está afundando. A anarquia nas relações exige que afundemos o navio — ou seja, que abandonemos a ideia de que o valor de alguém se mede pelo que ele provê ou pela dureza de sua armadura.

A libertação será comunal ou não será. E ela começa quando homens pobres, homens sensíveis, homens em crise e mulheres sem pose deixarem de ser motivo de vergonha para quem ainda acredita que “empoderamento” é sinônimo de poder de compra ou de perpetuação da violência simbólica.



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