Enquanto a esquerda burguesa negocia migalhas, o anarquismo lembra: o pão não se pede — se toma da mesa onde o patrão come.
Antes de Tudo: Não Há Meio-Termo com o Fascismo
Que fique claro desde o primeiro parágrafo: somos contra o fascismo, contra a extrema direita, contra o bolsonarismo e todo o mal que esse movimento causou ao Brasil. A tortura que o governo Bolsonaro representou — a destruição do sistema de saúde no auge da pandemia, o estímulo ao ódio armado, o genocídio indígena, o ataque sistemático à educação, à ciência e à cultura, o incentivo à violência política e às milícias — não será jamais relativizada ou diminuída.
O fascismo é a forma mais bruta e explícita da dominação do capital. Ele não dialoga, não negocia: ele trucida. E qualquer projeto de liberdade passa, necessariamente, pela derrota política, social e moral da extrema direita.
Dito isso, afirmar que o fascismo é o inimigo não nos obriga a abraçar seus opostos institucionais como se fossem aliados. A crítica que fazemos ao PT e ao lulismo não parte da direita — parte de uma tradição que recusa a falsa escolha entre o fascismo e a esquerda que governa para o capital. Nós não queremos um Brasil governado por Bolsonaro; também não queremos um Brasil governado por quem administra a miséria com ternos de grife e alianças com o agronegócio.

